sábado, 26 de janeiro de 2013

Imbé (RS) nos primórdios


A foto é uma vista a partir da torre da igreja, no loteamento inicial de Imbé (RS). Provavelmente data da década de 40 ou início da de 50.

É possível reconhecer alguns poucos chalés e casinhas californianas/neo-coloniais ainda existentes.
Embora infelizmente muitos prédios da época do loteamento estejam sumindo ano após ano, mantém-se o traçado urbano original do Eng. Ubatuba de Faria, remetendo ao conceito de cidade-jardim, um dos poucos com esta qualidade no Rio Grande do Sul.
Valeria um pouco mais de cuidado com esse espaço que conta tanto sobre as trajetórias dos "veraneios" no litoral gaúcho.

FONTE: Fotografia postada no grupo Preserve Patrimônio Histórico de Santo Anyônio da Patrulha e Litoral Norte no Facebook.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

A igrejinha Martin Luther de Porto Alegre (RS)


A pequena igrejinha Martin Luther, inaugurada em 1936, foi um dos bens históricos de Porto Alegre salvos graças a ação da sociedade em sua defesa - a previsão de passagem da III Perimetral por cima alarmou a comunidade, que conseguiu ajuda de arquitetos (como Günter Weimer) que, somado a outros movimentos de preservação, conseguiram a preservação do prédio.

Trata-se de uma pequena obra, de aparência discreta e que chama pouca atenção. Sua importância, porém, é enorme, por tratar-se de uma linguagem arquitetônica bastante avançada para a época, e representante de uma corrente arquitetônica vinculada a Neue Sachlichkeit (nova objetividade) que teve pouca penetração no Brasil: 

O projeto é do arquiteto Siegfried Berthold Costa (autor também das igrejas evangélicas luteranas de Taquara, Novo Hamburgo e outras), teuto-brasileiro de Estrela - RS, que estudou na Alemanha após trabalhar em Porto Alegre como ajudante dos arquitetos Theo Wiederspahn e Franz Filsinger.

A foto é de postal não datado (provavelmente meados da década de 60).

O Antigo Cine Rialto em Estância Velha (RS)


Os cinemas "de rua" foram por muito tempo a principal opção de lazer e cultura nas cidades do interior.
O Cine Teatro Rialto, mais conhecido como "Cine Rialto", inaugurado em 1946 em Estância Velha, era um destes exemplares. 
O prédio seguia linhas Art Déco de uma forma bastante simplificada. Esteve em ruínas por muitos anos, até ser recentemente ocupado por uma rede de lojas. Infelizmente a municipalidade perdeu a oportunidade de devolver a Estância Velha um belo espaço cultural, de que aquela cidade tanto tem carência e necessita.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Igreja São Geraldo da Av. Farrapos, em Porto Alegre (RS)

Dentro do interessante acervo Art Déco da Av. Farrapos, em Porto Alegre, destaca-se a Igreja São Geraldo. O projeto original é do Arq. Vitorino Zani, autor de inúmeros templos religiosos no Estado - como a Igreja São Pelegrino de Caxias do Sul e a Basílica São Luiz em Novo Hamburgo.

Sobre esta obra, fala o próprio Zani:
Do novo pensamento, temos a amostra das modernas construções que torna Porto Alegre digna de todos. Na arte sacra vai se elevando a Igreja São Geraldo, de linhas claras e os motivos litúrgicos nobremente representados a-par-de massas imponentes e simples, simples como a verdade de Deus.”
Fonte: Livro Porto Alegre: Biografia duma cidade. 1940

Prédio da Comissão de Terras e Colonização em Santa Rosa (RS)

 
A história do município de Santa Rosa (RS) insere-se na última etapa do processo de colonização no Estado do Rio Grande do Sul. O processo de distribuição dos lotes iniciou-se em 1915 e foi promovida pelo Estado do Rio Grande do Sul em terras pertencentes a União.

Boa parte dos colonos que ocuparam estas terras eram teuto-descendentes, filhos ou netos de imigrantes das colônias mais antigas. No entanto também alguns imigrantes estrangeiros foram atraídos para esta região, em sua maioria profissionais artesãos ou técnicos.

Curiosamente o prédio da Comissão de Terras e Colonização segue existindo, ainda de posse do governo estadual e ocupado por repartições públicas. Espera-se que seja preservado e devidamente restaurado por sua importância no contexto da colonização do Estado do Rio Grande do Sul, especialmente por tratar-se de remanescente das iniciativas públicas do governo estadual neste sentido (em contraste com as iniciativas mais antigas, imperiais, ou ainda com as tantas colonizações particulares subsidiadas ou não pelo Estado, que foram bastante comuns).

É exemplar raro e original, ainda, das tantas construções de madeira que caracterizaram as "colônias novas", das quais poucas restam. Todo este acervo vem paulatinamente desaparecendo.
 
"Um dos exemplos mais interessantes constitui, sem dúvida, o de Santa Rosa, que, com o nome 14 de julho, foi o centro da colônia instalada em 1915 no município de Santo Angelo. A Inspetoria de Terras e Colonização lá tem ainda seus escritórios no mesmo chalé de madeira, um pouco afastado do atual centro da cidade, numa das ruas em diagonal. Santa Rosa tornou-se sede do município de mesmo nome em 1931. A povoação, porém, só contava com 280 casas de madeira que, em 1940, abrigavam 1800 habitantes. Em 1950, possui 5000 habitantes, e as casas de tijolos e cimento se constroem na proporção de várias centenas por ano, distribuindo-se em volta do tabuleiro de ruas entre o antigo núcleo administrativo e a estação construída quando da implantação da viação férrea, em 1940. No centro, encontram-se a estação rodoviária e a Prefeitura Municipal, majestoso edifício de concreto, o maior de todos os municípios do Estado (salvo Porto Alegre). Há agora, um serviço de águas, uma central elétrica, escolas, uma biblioteca, uma estação de rádio, hotéis, casas de comércio, quartéis e todo um bairro militar, onde residem os oficiais e suboficiais. Santa Rosa vive principalmente de comércio. (...)"

 ROCHE, Jean. A Colonização Alemã no Rio Grande do Sul. Volume I. 1969

O Antigo "Matadouro de Pedras Brancas" em Guaíba (RS)

 
A cidade de Guaíba ficou em evidência desde a inauguração do "Catamarã" que faz a ligação hidroviária entre o município e Porto Alegre.

Bem em frente ao desembarque deste transporte um prédio histórico chama atenção dos transeuntes. Trata-se do antigo matadouro municipal de Porto Alegre, quando o local era conhecido como distrito de Pedras Brancas.

O prédio mais tarde serviu como Mercado Público, uso que ficou consolidado na memória coletiva do local. Hoje encontra-se abandonado, tendo recebido recentemente uma demão de tinta branca na fachada.

Fonte da imagem: BUCCELLI, Vittorio. Un viaggio a Rio Grande del Sud (1906)

Obra do Arq. Franz Filsinger em Novo Hamburgo

 
 
A rua Marcílio Dias em Novo Hamburgo (RS) guarda (por enquanto) um precioso exemplar da década de 30. Sua planta foi aprovada na prefeitura em 1932, sendo um dos poucos sobrados remanescentes projetados por arquiteto alemão erudito na cidade.

Projeto do Arquiteto Franz Filsinger, que trabalhou com o arquiteto Theo Wiederspahn. Posteriormente foi contratado pela A.D. Aydos Cia., onde assinou o projeto de várias edificações em Porto Alegre.  
O mesmo arquiteto é considerado pelo arq. Günter Weimer o introdutor do modernismo em Porto Alegre, devido a dois projetos residenciais pioneiros da década de 30. Filsinger também projetou o famoso pórtico Art Déco da Exposição do Centenário Farroupilha.
Poucas edificações eram projetadas por arquitetos eruditos em Novo Hamburgo, sendo que no geral o projeto e construção ficava a cargo de "construtores licenciados", de maior ou menor conhecimento.
 
Este projeto apresenta cuidadoso agenciamento dos espaços internos, resolvendo o programa da edificação com organização e simplicidade. Por este motivo, trata-se de obra única e de nítido interesse cultural, pelo que deveria ser classificada num inventário.

Mas este sobrado curiosamente não está inventariado pelo município como de interesse para preservação, ao passo que outras edificações não tão refinadas estão. Fica difícil entender qual os critérios utilizados nessa seleção - provavelmente inexistam critérios. A gestão do patrimônio cultural de Novo Hamburgo é uma das mais vergonhosas possíveis.
Assinatura na planta:
"F. Filsinger - Architecto Particular -Porto Alegre Av,. Christ.Colombo 356"
 

Hospital Centenário de São Leopoldo (RS)

(fonte: Acervo MHVSL)
 
Antes de se tornar símbolo de descaso e da decadência da saúde pública, o Hospital Centenário de São Leopoldo foi uma grande obra para o município.
O projeto foi lançado junto aos festejos do centénário da imigração alemã em 1924, motivo da sua denominação.
Este prédio histórico infelizmente não está tombado ou inventariado, portanto, segue com risco de modificações que possam danificar seu valor cultural.

Sobre o Hospital, segue notícia de 1824:

" Idéia magnifica, sem dúvida, essa da operosa Municipalidade de São Leopoldo de perpetuar a data histórica que se comemora, fazendo erguer um modelar estabelecimento para a cura dos enfermos, obra de alta benemerência e de tão simpática destinação social.
A planta do "Hospital do Centenário" - que assim se denominará - é de autoria dos srs. Barbedo & Barros, aqui estabelecidos com o reputado "Escritório Comercial de Engenharia" a rua dos Andradas nº 212 (sobrado).
O projeto do hospital é vasado nos moldes de que de mais moderno existe tocando no tocante ao assunto, havendo os engenheiros Silvio de Barbedo e Theopilo de Borges de Barros se esmerado por dotar o mesmo da última palavra do gênero.
Compor-se-á de pavilhões, sendo de notar que, de momento, apenas será construído o central, que tem 43,80 metros de frente port 23,50 metros de fundo, possuindo todas as instalações necessárias ao altruístico fim que foi destinado.
A parte central terá dois andares. O hospital possuirá dois grandes salões para os enfermos, com instalações completas para o pessoal interno e empregados, farmácia, consultórios, gabinetes, salas operatórias, laboratórios, etc.
O hospital terá um grande jardim central e será ladeado por pequenos vergéis para recreio dos convalescentes que, nos dias de sol, poderão ir arejar, percorrendo os meandros entre os canteiros e as cuidadas alamedas."
Fonte: O "Hospital do Centenário" apud. DUARTE, Eduardo (org.) O Centenário da Imigração Alemã no Rio Grande do Sul 1824-1924. Porto Alegre: Tipografia do Centro, 1946.

Memória Drops - Rio Grande do Sul

Este blog pretende trazer imagens e informações históricas do Rio Grande do Sul de forma breve, rápida e dinâmica.

Pretende-se, assim, promover de forma modesta a proteção do patrimônio cultural do Estado através da divulgação de suas potencialidades, ajudando na construção do imaginário deste legado.

Este blog complementa outro projeto, o blog Die Zeit , onde são discutidas as mesmas questões com mais profundidade.