terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A antiga Igreja da Tristeza em Porto Alegre (RS)

Ao copiar cite fonte: memoriadrops.blogspot.com
O primeiro templo católico da Tristeza teria sido edificado no "morro dos bugres", onde mais tarde foi loteada a vila Conceição. Com a necessidade de sua ampliação, a comunidade, formada majoritariamente por imigrantes italianos, conseguiu a doação de um outro terreno e iniciou a empreitada de sua igreja, com projeto do Arquiteto Calixto Gandolffi.
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A pedra fundamental foi lançada em 1896, e a construção foi árdua, entre dificuldades financeiras e adversidades do terreno pedregoso e de grande aclive. Em meados de 1900 a fachada da igreja foi parcialmente recomposta pelo Arq. Gandolffi, reformulando a parte do frontão que encontrava-se com problemas estruturais. Já em 1910, acrescentaram-se na fachada as esculturas de Jesus Cristo ladeado por duas crianças, São Luiz e Santa Inês, todas de autoria do escultor de origem alemã Germano Drexler.
Ao copiar cite fonte: memoriadrops.blogspot.com
As estátuas foram relacionadas como patrimônio histórico pelo município de Porto Alegre em 1971, na lista de elementos isolados. Em 1974 a proteção foi ampliada a toda igreja, e em 1977 foram novamente limitadas as esculturas. Atualmente a igreja e sua casa paroquiais são bens inventariados como patrimônio cultural pelo município de Porto Alegre.

Fontes:

PASTOUS, Lisia Saint. Os imigrantes italianos e a construção da primeira igreja da Tristeza.
MEIRA, Ana Lúcia. O Passado no Futuro da Cidade. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2004.
Acervo da Paróquia.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O plano cicloviário de Campo Bom (RS)



O plano cicloviário de Campo Bom tem sua origem no Projeto Integração, na gestão do prefeito Nestor Fips Schneider. O programa, parcialmente financiado pela EBTU – Empresa Brasileira de Transportes Urbanos, tinha como finalidade qualificar a mobilidade urbana, pois na época era expressivo o uso de bicicleta pelos operários das fábricas de calçados, e também bastante frequentes os acidentes de trânsito.
Cópia apenas com autorização expressa do autor do blog Memória Drops.
 As obras da primeira etapa iniciaram em 1977 e foram concluídas em 1981. A solenidade de inauguração do Anel Cicloviário completo se deu em 1983. O paisagismo foi completado com plantio de canafístulas e outras plantas de grande crescimento vertical, com intenção de formar “túneis verdes”.

A malha cicloviária continua sendo ampliada através das décadas, sendo bastante expressiva para o porte da cidade. Em 2016 foi incluída no Inventário do Patrimônio Cultural Arquitetônico e Paisagístico de Campo Bom.

Fontes consultadas:
Jornal O Fato, 23 de julho de 1977 e 31 de janeiro de 1981.
Sistema Cicloviário Municipal – Monografia. Supervisão Técnica Municipal, 1984.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

O Moinho Rasche de Nova Petrópolis

O antigo Moinho de Cereais de Gustavo Rasche & Cia situa-se às margens da estrada BR-116, na entrada de Nova Petrópolis. Na sua simplicidade e imponência, representa os moinhos coloniais bastante frequente nas áreas de imigração alemã e italianas.

O prédio, com porão de alvenaria e três pavimentos de madeira, foi construído em 1953. Desativado, passou por alguns anos de abandono até ser finalmente adquirido pela Prefeitura Municipal e passar por obras de recuperação em 2008. O moinho preserva parte do seu maquinário, funcionando como um museu aberto a visitação.

A imagem mostra a edificação reproduzida em um anúncio de jornal no ano de 1958.

Fonte da imagem: Publicidade no caderno especial 1º Centenário da Colonização de Nova Petrópolis do Jornal A Hora - 1958. Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo.

domingo, 10 de julho de 2016

Construção das pontes da Estrada Presidente Lucena


Entre as obras listadas no Relatório da Secretaria de Obras Públicas do Estado do Rio Grande do Sul de 1918, estão as pontes da Estrada Presidente Lucena, entre o Arroio Veado e o Arroio Serraria.

Na imagem acima, a construção da ponte sobre o Arroio Veado, tendo já concluídas as cabeceiras de pedra. No local onde hoje se situa o município de Presidente Lucena.
Fonte: Relatório apresentado ao Dr. A. A. Borges de Medeiros Presidente do Estado do Rio Grande do Sul pelo Dr. Idelfonso Soares Pinto Secretario de Estado dos Negócios das Obras Públicas (1918)  - Acervo do AHRS.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Theo Wiederspahn e a "germanização" da Casa da Feitoria em São Leopoldo (RS)


Antiga sede da Feitoria do Linho Cânhamo, empreendimento fracassado do governo imperial, a conhecida "Casa da Feitoria", recentemente chamada também de "Casa do Imigrante", foi utilizada para receber e abrigar os primeiros imigrantes alemães que aportaram no que viria a se tornar a Colônia Alemã de São Leopoldo, em 1824. A eles foram distribuídos lotes de terras devolutas da antiga Feitoria.

Sendo uma das poucas construções luso-brasileiras na região, a Casa da Feitoria tornou-se objeto de disputa simbólica. Na disputa, o Governo estado-novista brasileiro, que se empenhava numa ferrenha campanha de nacionalização; e os diversos grupos que atuavam nas antigas colônias alemãs e defendiam os valores do "deutschtum" (germanidade).

Em 1938, o SPHAN, Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional abre o processo de tombamento da Casa da Feitoria. Deixar um monumento simbólico da cultura alemã nas mãos do Estado nacionalizador era preocupante para os germanistas.O Sínodo luterano e a Sociedade União Popular, na época vinculados aos ideais germanistas, teriam adquirido o imóvel, repassando-o posteriormente para a municipalidade de São Leopoldo.

Em 1941, o arquiteto alemão Theo Wiederspahn foi contratado pela Prefeitura de São Leopoldo para "restaurar" a antiga Casa da Feitoria, instalando nela um grupo escolar. Wiederspahn praticamente reconstruiu o prédio de forma idealizada, imprimindo traços da arquitetura vernacular teuto-brasileira (as traves enxaimel) na edificação.

A Casa da Feitoria, ainda que tenha eventualmente perdido o valor documental enquanto edificação histórica do século 18, simboliza uma das poucas - senão a única - batalha "perdida" pela campanha nacionalista do Estado Novo de Vargas.

O tombamento nacional jamais foi finalizado. O prédio foi tombado pelo Estado do Rio Grande do Sul em 1982, e no processo, curiosamente consta que o prédio teria sido modificado para a arquitetura enxaimel ainda em 1824.


FONTES:
IPHAE-RS http://www.iphae.rs.gov.br/Main.php?do=BensTombadosDetalhesAc&item=15706
Acervo do Museu Histórico Visconde de São Leopoldo
MEIRA, Ana. O Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Rio Grande do Sul do Século XX: Atribuição de Valores e critérios de Intervenção. Tese de doutorado PROPUR/UFRGS.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

"Steinhaus", a Casa de Pedra de Igrejinha

Edificação simbólica do processo de colonização alemã no Rio Grande do Sul, a "Steinhaus" - Casa de Pedra de Igrejinha está para a colônia de "Santa Maria do Mundo Novo" (que compreendia, entre outros, os atuais municípios de Taquara, Três Coroas e Igrejinha) assim como a Casa do Imigrante para a Colônia de São Leopoldo.

O prédio, de arquitetura luso-brasileira, foi mandado construir por Tristão Monteiro para a partir dali, organizar todo funcionamento da sua Colônia particular. A casa teria servido de abrigo aos agrimensores responsáveis pelas medições das terras, era o ponto de referência onde foram recebidos os imigrantes e teuto-brasileiros ali chegados, interessados na aquisição dos lotes coloniais e, ainda, servia de ponto de comércio de ferramentas e produtos necessários à subsistência do colono nos primeiros tempos.

O espaço foi ocupado a partir da década de 1970 por um Centro de Tradições Gaúchas, que hoje funciona em edificação anexa.

 Infelizmente, o estado de conservação atual é precário. Como agravante, a edificação ainda não é reconhecida oficialmente como patrimônio cultural através de ato administrativo (apesar de uma iniciativa legislativa de efeito honorífico dar conta de sua importância estadual).

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Evangelisches Stift: Agonia pronlongada pela "restauração"



O futuro do Evangelisches Stift - o antigo prédio da Fundação Evangélica de Hamburgo Velho, na rua Maurício Cardoso, segue uma incógnita, após mais de um ano com as obras paralizadas.

O prédio, que integra sítio histórico tombado pelo IPHAN, teria sido construído em meados de 1850-60, ainda com um pavimento. Foi ampliado posteriormente na década de 1910, alguns anos após sua compra pelas irmãs Lina e Amália Engel, que ali instalaram um internato feminino.

Após a transferência da Fundação Evangélica para uma nova estrutura o local abrigou sucessivamente os mais diversos usos: jardim de infância da Comunidade Evangélica, Fábrica Arlindo Thoen, Lar da Menina da Fundação Dom Bosco, Museu do Calçado, Atelie Livre da SEMEC-NH e por fim, albergue da Secretaria Municipal de Saúde.

Incendiado no ano de 1999, vive desde então uma lenta agonia: com a derrubada do seu frontão logo após o incêndio, a edificação passou mais de uma década se deteriorando. Foi adquirido pela municipalidade em 2008 e posteriormente, formulado de um projeto de restauração, cuja execução começou em 2013.

Ninguém poderia imaginar que esse processo de recuperação fosse se tornar mais um amargo capítulo na trajetória do antigo Stift: as obras foram embargadas por uma ação civil pública do Ministério Público Estadual por suspeita de irregularidades na licitação, além das nítidas falhas técnicas na execução da obra, em desacordo com princípios básicos de preservação.

O próximo capítulo desta história ainda será escrito, mas certamente já deixou seu impacto negativo na memória afetiva da edificação.

FONTE: Inventário do Patrimônio Cultural de Novo Hamburgo - SIG/IPHAN
Foto: Acervo Fundação Scheffel